O dia 13 de abril ficou marcado no ano de 2011. E o motivo não foi por um show histórico ou a vinda do presidente Obama para a cidade. Foi, simplesmente, pelo lançamento da Campanha da Feira do Livro 2011. Em 1973, graças à iniciativa de acadêmicos do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Santa Maria, ocorreu a primeira edição da Feira do Livro de Santa Maria.
A Feira do Livro de Santa Maria não possui nenhum vínculo político e/ou partidário, visto que seu surgimento ocorreu a partir de um projeto de estudantes do curso de Comunicação Social da UFSM. Apesar de ter começado pequena, com o passar do tempo, entendeu-se o valor que esse acontecimento agrega à cultura de uma cidade, especialmente a nossa, conhecida como “Cidade Cultura”.
As últimas campanhas da Feira do Livro foram produzidas por alunos de Publicidade e Propaganda da UFSM na disciplina de Agência Experimental II. Devido a alguns problemas operacionais na execução e veiculação do material gráfico, optou-se por transferir essa campanha para os bolsistas da FACOS Agência – agência-laboratório do curso. Os professores orientadores da agência apresentaram o produto cultural para os estagiários e solicitaram voluntários para o trabalho. Constituiu-se um grupo de sete alunos distribuídos entre Atendimento/Planejamento, Redação, Direção de Arte e Mídia/Produção.
Acompanhei o processo das reuniões e decisões da campanha de perto, afinal sou amiga de duas meninas que compõe a FACOS Agência, a Maria Cândida Cassol e a Thana Barcellos. Em meio a muitas reuniões, fui conhecendo um pouco do trabalho que seria apresentado. Como todos sabem, ou deveriam saber, a campanha de divulgação da Feira do Livro 2011 de Santa Maria tem como objetivo a promoção do evento e o incentivo à leitura. Diferentemente dos outros anos de campanha, este ano, além de estimular as pessoas a lerem mais, fez-se uma contra propaganda à não-leitura.
A justificativa para isso? A campanha publicitária de 2011 foi pensada com longo prazo para a produção de todas as peças. O trabalho foi discutido em todos os membros da equipe. Agora o que diferencia a campanha das anteriores: o combate a NÃO-LEITURA, representada pela campanha com a palavra “Ignorância”. Com “tititis” aqui, “tititis” ali, a apresentação da Campanha da Feira do Livro 2011 trouxe como resultado o que muitos já esperavam, a polêmica.
O seguinte conceito “não deixe a ignorância atrapalhar sua história” foi efetuado por toda a equipe, além do conceito criativo ter sido discutido da mesma forma. A ideia foi parodiar títulos de livros Best Sellers e criou-se uma história nova para cada personagem, nas quais sempre quem estava presente, como uma assombração, era a “Ignorância”, sendo uma consequência sofrida pelo protagonista por não deixar a leitura entrar em sua história. Mas isso até ir à Feira do Livro e se livrar do mal da não-leitura.
As peças que compõe a campanha da Feira do Livro 2011 são as seguintes: facebook e twitter, cartazes, jogo americano, marca páginas, livrinho infantil, convite de lançamento, outdoor, VT 30’’, Spot 30’’, camiseta, boton, programação, flyer livro livre, banner do site, displays e certificado.
Clica aqui para ver os cartazes da Campanha da Feira do Livro 2011.
Prestou bem a atenção? Então ok, após toda esta explicação sobre a Campanha da Feira do Livro 2011, parto para o motivo do texto: as opiniões (ou agressões?) que surgiram a respeito da mesma. Li, principalmente, em facebook’s e twitter’s de amigos/conhecidos as seguintes frases: “Ah! Agora porque fico no twitter sou um ignorante”, “Não sabia que gostar de ver tv me torna uma pessoa burra”, “Seja lá quais são seus gostos, considere-se uma pessoa burra e ignorante”, entre tantas outras, com o perdão da palavra, ignorâncias que li por aí.
A Feira do Livro tem duração de 15 dias e funciona na Praça Saldanha Marinho, no centro da cidade, onde todas as pessoas passam ao menos uma vez durante a semana. Agora, admita! As estratégias foram muito bem planejadas e formuladas, afinal qual o maior objetivo de uma campanha publicitária? Que ela se torne popular, comentada e que traga o principal, seja conhecida e vista por todos. E foi exatamente o que aconteceu. Opiniões existem, e devem existir, porém muitas pessoas não souberam expressá-la e utilizaram de palavras grosseiras e sem argumentos para criticar algo que sim, foi pensado e desenvolvido com tempo e dedicação.
Como está escrito nos cartazes acima, a ideia é destinada a pessoas que SOMENTE twittam e dormem, veem TV, utilizam os livros para outros fins e, até mesmo, para quem possui livros, mas não adquiriu o gosto pelo mesmo. Ou seja, quem se sentiu ofendido e agredido com a campanha, vai me desculpar, então significa que o “chapéu está servindo”. Escutei e li comentários sem nenhum argumento que o valha. Criticar algo que funciona é muito fácil, porém a maioria das pessoas não soube reconhecer algo inovador, de boa qualidade.
Outra coisa que também deve ser pensada é o fato do apoio que a campanha recebeu. Racione: a Feira do Livro é uma promoção da Prefeitura de Santa Maria, Unifra, Cesma, SescRS, entre outros. Você realmente acha que se o objetivo fosse agredir a população santamariense ela seria aprovada? Convenhamos que não, né? Minha indignação é, principalmente, com o fato de muito dos meus colegas comunicólogos terem avaliado a situação da forma como avaliaram.
Nós, estudantes e até mesmo profissionais, devemos ter a cabeça mais livre para aceitar ideias que surgem a todo momento. Aprendemos, dia após dia, que devemos opinar com cautela e, claro, sermos críticos. Mas a falta de argumento incomoda. As paródias dos Best Sellers atraem a atenção do público e, mais do que isso, promovem a identificação com a campanha. Procurou-se manter a ligação através dos nomes dos protagonistas. O conceito de que a leitura combate a ignorância é identificado, juntamente, da estética visual, das cores vivas, e da ideia bem humorada do pessoal da redação publicitária.
Peço, por favor, que as pessoas identifiquem os pontos personificados no texto, representados no próprio desenho. Tanto a arte, quanto o texto, em todas as peças, possui a mesma linha e estrutura, o que caracteriza este trabalho como uma campanha de propaganda legítima.
Embora eu saiba que a campanha foi sim, muito ousada, há tempos não via um planejamento bem feito e com a criatividade que foi apresentada. Todos os envolvidos deram à cara a tapa, pois sabiam que o risco de serem mal interpretados era grande. O fato é que é só deixar a cabeça funcionar e o raciocínio inteligente fluir. Afinal, caro leitor, se você não é ignorante e burro, como muitos se sentiram, equivocadamente, ao ler os cartazes, você há de concordar comigo.
Sucesso para a Feira do Livro 2011, e meus sinceros parabéns ao pessoal da FACOS Agência.
Ingrid querida!!!Não sabia que tinha causado tanta polêmica a campanha para a Feira do Livro, li no jornal sobre a Campanha e achei muito bacana , super criativo!!!!
ResponderExcluirAmiga, ficou ótimo teu texto! Obrigada por todo o apoio, eu sei que tu é muito sincera nos teu comentários!
ResponderExcluirBeijo, parabéns!