terça-feira, 22 de março de 2011

Por algumas horas que diminuem a saudade

Para todas as boas situações acontecerem, sempre será necessária a tal da oportunidade. Duzentos e setenta quilômetros me separam de uma pessoa que, além de fazer parte da minha família, é alguém que me vejo muito parecida e que, até certo ponto, posso dizer que me espelho.

Não trabalhei hoje. Acordei cedo, terminei de ajeitar a mochila, tomei café da manhã e vim para Porto Alegre. O motivo é relacionado ao trabalho, irei citá-lo em outra ocasião. Saí às 7h de Santa Maria, mesmo sabendo que não precisava tanto. Só que sempre surge a oportunidade. Vindo mais cedo para cá, pude encontrar essa pessoa que citei acima. 11h18min desembarquei do ônibus. Entreguei o papel com a identificação da minha mochila e paguei R$1,75 para ir ao banheiro. Achei um absurdo, mas não tive outra opção.

Após trocas de mensagens, estava eu, sentada na sala de espera do Curso de Idiomas Acele, na Oswaldo Aranha 894. Tomei um copo de água, peguei o livro Jô na Estrada, do David Coimbra, e continuei a lê-lo, pois tive de esperá-la sair da aula de inglês. "Reconheci pela mochila. Vim tomar uma água e achei que tu já tivesse chegado mesmo", aparece a Mi, como carinhosamente a chamo. Um longo abraço e algumas risadas, afinal não esperava encontrá-la com o braço quebrado, cinco pontos no queixo e alguns hematomas espalhados pelo corpo.

Esperei mais um pouco até chegar ao final da aula. Finalmente, conheci o apartamento onde ela está morando. Em frente à Redenção. Ai, que coisa mais bonita. O quarto continua a cara dela, parece que a casa, mesmo dividida com outras duas meninas, já tem até o cheiro específico. Enxergo, primeiramente, o quadro do Jim Morrison e suspiro. Nem sempre é possível ser recepcionada com o olhar dele. Largo minha pesada mochila, pego dinheiro e escuto ela anunciar onde vamos almoçar. "Vou te levar num restaurante de comida chinesa. Sei que tu come de tudo. O tempero de lá é maravilhoso. Tu vai gostar". Ela me conhece bem.

Duas ou três quadras depois estávamos sentadas em uma mesa com mais um casal. Pedimos licença e sentamos. Nem ela imaginou que o restaurante fosse estar tão movimentado. Olhei para o buffet e, realmente, a comida pareceu apetitosa. Mesmo sem conhecer algumas típicas comidas chinesas, resolvi me servir. Vi algo que me pareceu ser frango. O casal ao lado logo saiu e nos deslocamos para perto da parede. O frango, na verdade, era "tofu". Mais um momento de rirmos da situação.

Decidimos que após o almoço, íamos pegar uma canga, fazer um mate e sentar na sombra, embaixo de uma árvore, na Redenção. E que oportunidade! A Redenção trouxe paz para as duas. Falamos de nossas mães, tias, irmãos, de nossos desejos, frustrações, saudades, realizações. Falamos de nós para nós mesmas. Senti alegria de estar perto dela. Oito anos de diferença nunca nos fizeram diferentes uma para a outra. Pelo contrário, aprendemos muito dessa forma. O orgulho também esteve entre nós, pois chegamos aonde chegamos. Se podemos ter este contato, esta aproximação toda, é como se tivéssemos feito algo certo.

Fiquei feliz por ela. Ela ficou feliz por mim. Lembramos de outros momentos em que já estivemos juntas. Tiramos fotos para registrar. Vou colocá-la junto. Este tipo de oportunidade eu quero ter todos os dias. Ela, os sorrisos, o mate, a Redenção e o abraço de até breve.

Seja qual for o motivo de eu ter vindo para Porto Alegre, ele já valeu a pena por estas poucas horas que diminuem a saudade.


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